Melancolia
20 out 2011 Deixe um comentário
“Como encontrar o caminho de volta para casa? O lugar onde está meu conforto, onde sei o que é meu, onde sei que sempre estará aquecido, onde sempre encontrarei pessoas queridas…
Não sei como voltar, agora tenho que seguir. Olho para frente e vejo uma longa estrada e muitas outras que se ramificam lembrando uma folha verde e grande numa manhã de chuva; olho para trás e vejo as coisas se perderem, ficando cada vez mais longe – pessoas, lugares, ocasiões -; olho para os lados e as árvores passam tão rapidamente que so consigo ver com calma o “longe”, esse sim passa devagar, inacessível a mim.
Onde estou agora? Eu ainda não sei nem para onde estou indo. Estou triste, confusa, sem bússola _ também, a essa altura quem precisa de uma? _ Estou na plataforma, estou no pear, estou no embarque, estou à beira de um abismo… estou indo para tão longe que as asas do beija-flor pode me levar. Alias, beija-flor é o meu segundo pássaro preferido, o primeiro é a coruja, mas ela não voa tão rápido nem tão alto e é tão linda, essa não é uma informação desnecessária, é para você se lembrar de mim caso veja algum desses bichos. Posso não vê-los mais.
Tenho sonhado bastante com lindos lugares, mas para chegar até eles sempre enfrento algum perigo e o engraçado é que nunca estou só, sempre há alguém comigo para me ajudar ou para nos ajudarmos. Ainda não sei o que isso quer dizer. Há muito não sei de muita coisa, estou esquecendo até o meu nome.”
Esse trecho parece uma despedida. E é como despedida que é para ser visto, pois é assim que me sinto quando te vejo. Encerrando o jogo, finalizando tudo, abandonando o barco, tão egoísta, tão miserável, entregando-se ao nada, partindo aos poucos… Enquanto gritamos por você _ Lute! Nade! Vamos, pegue a minha mão! Respire! _, você se envaidece do sentimento de perda ao qual se entrega e diz: “Pronto, chega, este é o fim e é assim que deve ser!”. Nós não paramos de gritar, quando um cansa o outro recomeça, e você se faz de “surdo-mudo” e agora, “cego”.
Entendo a sua escolha, não a aceito. Queremos todos voltar para casa, para o abraço quente de quem nos ama, de quem nos cuida. Esta ficando difícil cada vez que pensa em desistir, até para nós.
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